A evolução profissional numa era mutante

Gisela Kassoy

 

Pense num gráfico de evolução de alguma empresa. Provavelmente, você visualizou um daqueles gráficos que costuma aparecer nos cartoons e tirinhas em quadrinhos, no qual há uma diagonal ascendente com pequenos altos e baixos, às vezes, seguida de uma linha reta, o chamado “plateau”.

Esta imagem tornou-se o paradigma do processo evolutivo das empresas. Observe como esse gráfico imaginário nos leva a pensar que a evolução é apenas uma questão de esforço, que existe o “chegar lá” e que um belo dia poderemos “deitar em berço esplêndido”. Nada de errado com essa idéia, a não ser o fato de que ela mais não funciona.

Pense bem: quando nosso produto tem sucesso, a concorrência copia, adapta, melhora ou vende mais barato. Além disso, o consumidor ou o cliente pode simplesmente se cansar dos nossos procutos e ir atrás de novidades. A nossa forma de operar também pode ser destruída do dia para a noite por uma nova tecnologia. É por isso que o autor americano George Land acredita que, atualmente, a evolução das empresas e das carreiras não ocorre de forma linear, mas de forma sinuosa e em saltos. A partir de uma apresentação feita pelo consultor americano Bill Sturner sobre esse tema, comecei a estudar os estágios desse processo chamado de “Evolução em S”.

Ele ilustra como a evolução pode ocorrer em nossos dias.
Imagine a letra “S”. Veja como os diferentes estágios da evolução ficam distribuídos no “S”.

Largada - É o momento inicial, é a ponta esquerda do “S”. Nesta fase, determinamos um caminho. Quanto mais claro o objetivo, maior a motivação. Nessa fase, precisamos muito dela, pois é o único instrumento que dispomos.

Ensaio - Neste estágio a produtividade cai, pois tudo é novo e, portanto, difícil. O ensaio requer persistência e permissão para o erro, pois a tentação de retomar à forma antiga é muito grande. Está simbolizado pela curva inicial descendente do “S”.

Criação - Aqui o “S” começa a subir e “pegamos o embalo”. Já existe prazer no novo procedimento e as coisas começam a dar certo.

Sucesso - O “S” continua subindo. Os resultados são visíveis. É hora de celebrar.

Acomodação - Novo momento perigoso: o “S” continua subindo, a ilusão de conhecermos o caminho nos impede de perceber a necessidade de novas mudanças. Aparentemente estamos evoluindo, o mercado ainda responde bem, mas a concorrência já se mexeu. Parte do mercado já procura novidades ou algum advento tecnológico vem por aí…

Decadência - Aqui o “S” começa a cair, simbolizando o preço que pagamos pela acomodação. Acomodação e decadência não são passagens obrigatórias. É no auge do sucesso que devemos pular para o próximo “S”, ou como dizem elegantemente “é a hora do salto quântico”.

Enquanto ele não vem, mais um estágio.

Vácuo - Temos que saltar, mas não sabemos para onde. Novamente a tentação é voltar para trás. Mas o momento é de olhar para o mercado, descobrir novas oportunidades.

Assim, a evolução numa era mutante acontecerá em “S” (incluindo acomodação e decadência) ou em “J”, ou seja, quando espertamente recomeçamos justamente ao estarmos por cima.

Aos líderes, recomendo algumas reflexões: em qual estágio está sua equipe, sua empresa e cada um de seus colaboradores? E agora, como fazer para dar o próximo passo? Qual a tática a ser empregada em cada etapa?

 

 

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