A Transição Para Um Novo Modelo De Avaliação
Postado em 25 de maio de 2008 por Prof. Rita Alonso
Os profissionais de RH estão preocupados com novas alternativas estratégicas para que suas organizações possam substituir a avaliação do desempenho - eliminando seu efeito negativo sobre a moral e motivação dos funcionários - e colocar em seu lugar um novo modelo dinâmico e proativo de gestão do desempenho. Afinal, o desempenho organizacional está intimamente ligado ao desempenho individual e grupal de seus participantes. Basicamente, o papel e a formatação da avaliação do desempenho estão sendo não apenas questionados, mas totalmente reengendrados. O que está em jogo são os seguintes aspectos:
- Utilização de equipes multifuncionais de várias áreas da organização para ajudar a desenhar alternativas baseadas em aspectos relacionados com os objetivos globais e conseqüentemente, com os critérios de avaliação do desempenho. Trata-se de ouvir os vários segmentos da organização para construir um novo sistema de avaliação do desempenho.
- Separar os objetivos tradicionais da avaliação do desempenho para melhor balanceá-los. As funções - como remuneração, incentivos, feedback, carreira, treinamento e desenvolvimento, coaching, mentoring, etc. - são cumpridas através de propósitos específicos. Cada qual na sua. A avaliação tradicional do desempenho misturava vários objetivos simultaneamente e quase sempre não alcançava nenhum deles.
- Diagnosticar as competências organizacionais atuais e necessárias e, a partir delas, identificar as competências individuais e grupais para dar-lhes suporte e impulso. A gestão de competências - embora complexa e infindável, pois as competências mudam com as mudanças ambientais e tecnológicas - é um caminho realmente promissor.
- Criar e fomentar um senso de urgência, de propósito e de direção para o futuro em toda a organização. O novo modelo procura exatamente isso. Não aceitar a contemporização, a complacência e a mediocridade. Fazer já e não deixar nada para depois. O futuro está caminhando cada vez mais rapidamente. A agilidade e flexibilidade são imprescindíveis.
- Educar todas as pessoas na organização a respeito da necessidade e direção da mudança pretendida. Criar uma visão organizacional como ponto de referência para todos. Isso envolve, em muitos casos, a criação de um assessment center para orientar e direcionar desempenhos e gerar condições de encarreiramento na organização. Coaching e mentoring são indispensáveis.
- Criar um ambiente de trabalho de confiança e de respeito às pessoas como adultos responsáveis. Privilegiar as diferenças individuais de personalidade de modo que cada pessoa possa seguir o seu caminho próprio e de acordo com suas preferências e necessidades. Deixar de homogeneizar e de padronizar o desempenho dos funcionários é mandatório.
- Encorajar todas as pessoas a assumir responsabilidade em solicitar assistência e coaching que melhor sirvam às suas necessidades individuais e à sua particular situação. De um lado, oferecer apoio e suporte, e de outro lado, oferecer oportunidades para as pessoas. De um lado, disponibilizar recursos, e de outro lado, fazer com que as pessoas sejam responsáveis por cobrar tais recursos.
- Proporcionar treinamento e ferramentas eletivas que facilitem o alinhamento, melhoria, definição de objetivos e desenvolvimento de carreira. Chame-se a isto de gestão do conhecimento, educação corporativa ou o nome que se queira utilizar, o importante é que as pessoas tenham condições efetivas de utilizar os meios necessários para seu próprio desenvolvimento. A função da organização é criar um contexto e a responsabilidade de cada pessoa é utilizar esse contexto da maneira mais apropriada ao seu contínuo desenvolvimento e realização pessoal.
- Utilizar o formato de avaliação como uma ferramenta de coaching que proporcione aconselhamento, orientação e direcionamento para o futuro para cada pessoa em cada situação.
- Estimular em cada pessoa o valor do feedback, informação, comunicação e relacionamento pessoal e grupal na melhoria do desempenho individual, da equipe e da organização.
- Desenvolver uma cultura de trabalho orientada para a aprendizagem contínua, melhoria do capital intelectual, mudança e inovação, ética e competitividade da organização.
- Criar todas as condições para um efetivo retorno do investimento no capital humano da organização em proveito de todos os parceiros envolvidos.
Parece que a avaliação do desempenho nunca mais será a mesma de antes. As novas bases estão todas aí. Só falta codifica-las, operacionalizá-las e coloca-las em ação. Isto até parece as doze tarefas de Hércules. Mãos à obra! Vale a pena tentar.
Categoria: Recursos Humanos
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