Clima organizacional sujeito a sol e trovoadas

Já sei o que você está pensando: esse tema sugere as participações da “mulher do tempo”, como nos telejornais.

É verdade que a tecnologia avançou consideravelmente nesta área, onde permite que muitas pessoas aguardem essas referências para viajar, sair de casa, fazer algum negócio, preparar a terra para plantar as sementes.

Porém, mesmo com tantas tecnologias, não podemos esquecer que o principal personagem deste cenário continua a ser a Mãe Natureza.

E como o desenvolvimento humano-tecnológico vigente, segue sob qualquer forma e preço, a Mãe Natureza tem agido e dado suas respostas de forma cruel, mas sábia.

Nas organizações de hoje, uma ferramenta muito utilizada para medir a “performance” da empresa, ou seja, obter condições para mensurar como ela está em relação às políticas adotadas na gestão de seus Recursos Humanos, é o levantamento do Clima Organizacional. Esse clima sim, ao contrário das previsões do tempo meteorológico, é possível prever o futuro da organização, onde se pretende chegar e sob quais condições.

Infelizmente, essa poderosa ferramenta tem sido utilizada por muitos de forma incorreta, seja para marketing das empresas ou ascensão de profissionais. Questionários específicos para colher os objetivos do RH e/ou da diretoria são técnica e estrategicamente desenvolvidos, tais como: tomar café com o presidente, bolos e cartões de aniversários, vestir a camisa da empresa e tantos outros, que em troca do salário mensal, são muito bem correspondidos pelo empregado, visto que, caso venha a perder o atual emprego, torna-se difícil conseguir outro semelhante, ou melhor.

Essa ferramenta, que quando mal conduzida, favorece o estabelecimento de uma relação de fingimento mútuo, ou seja, “finjo que pago e o outro finge que trabalha”, tem atravancado o desenvolvimento de muitas empresas, provocando muitas doenças ocupacionais, prejuízo aos custos e à qualidade dos produtos e o pior: o cliente final tem percebido tais efeitos.

De que adianta um marketing da boca para fora ou “pesquisa de clima encomendada”, sendo que a realidade é outra? Como na participação da mulher do tempo na televisão, há gestões onde os funcionários não sabem como serão tratados ou liderados no dia seguinte. Será que “vai chover, fará frio ou calor?”.

As decisões do patrão conforme sua noite de sono, uma queda de vendas, reclamações de qualidade, uma reivindicação do sindicato da categoria dos trabalhadores, sempre são traumáticas e imprevisíveis. Às vezes com calma, outras aos gritos, mas nenhuma delas respeitam os funcionários como seres humanos.

As demissões raramente são técnicas ou profissionais. Na maioria das vezes, são para mostrar “poder” e dar o famoso exemplo do “medo” aos que ficam na empresa. As lideranças que representam o patrão são obrigadas a seguir a cartilha do líder maior, ou então… Imperar a antiga medida do “puxa saquismo” para garantir o status social.

Sem dúvidas, o levantamento de clima organizacional será ou já é para as empresas sérias e de administração ética, uma ferramenta única (mãe de todas) para servir de alinhamento às políticas adotadas pela organização, a fim de garantir sua sobrevivência no mercado por meio de seus clientes internos e externos.

Uma gestão profissional baseada no tripé - Dono do Capital - o Investidor; Dono da Mão-de-Obra - Recursos Humanos; Cliente - o Financiador, é para o sucesso organizacional. Quanto mais harmonioso esse tripé, mais certeza que a gestão adotada está no caminho certo, independente das ações externas negativas serem cada vez mais fortes e burras.

O uso da ferramenta de medição do clima organizacional, dentro dos princípios éticos, deve ser liderado e motivado pelo líder principal da organização, bem como, o acompanhamento das ações recomendadas, ou seja, não ter medo de ser feliz.

Não ter medo de ser feliz é encarar com competência e profissionalismo uma simples recomendação de mau atendimento da agência bancária terceirizada até à política salarial adotada pela empresa naquele momento. A medição do clima organizacional, dentro dessa gestão profissional, indica verdadeiramente onde a organização precisa alinhar-se, excluindo as tendências de paternalismos, a lei de Gerson e tantos outros comportamentos que interferem nas transparências de qualquer gestão adotada.

Alguns exemplos:

Tendências de uma má liderança - Um bom programa de treinamento;
Reclamações do restaurante - Revisar e exigir o que foi acordado em contrato;
Política salarial - Rever pesquisa de mercado;
Acidentes do trabalho - Rever procedimentos;
Absenteísmo alto e doenças ocupacionais - Rever as políticas ambientais e as estratégias de negócios etc.

Como na política da qualidade, onde a gestão da qualidade é avaliada segundo a segundo pelo cliente, na gestão de Recursos Humanos deve ser dado o mesmo tom de seriedade e respeito. No artigo “A era do espetáculo”, do consultor de empresas César Souza, é dito que, “não existe cliente encantado nas organizações onde seus talentos são infelizes. É preciso encantar os talentos internos para encantar os clientes externos”.

Cuidado com o modismo do clima organizacional
Sejam realistas e profissionais ao aplicá-lo, caso contrário, a casa cai! Se não cai hoje pelas razões apresentadas acima, com certeza cairá nos anos seguintes e esse “filme” muitos já assistiram o seu final.

Façam um retiro empresarial
Ser empreendedor é um dom emprestado. Divida-o de forma justa, profissional e harmoniosa com outras pessoas, ou seja, seus colaboradores.

Não use a ferramenta do clima organizacional para disfarçar uma gestão de incompetentes ou para disfarçar uma ignorância empresarial. Use-a para manutenção de uma gestão “ganha-ganha”.

Luis Antonio Munis


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1 comentario para “Clima organizacional sujeito a sol e trovoadas”

  1. Texto muito bom!

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