Percepção do Outro
Exercitar a percepção e memória visual, observar detalhes, descontrair
20 minutos
Grupos em geral, que já se conheçam e trabalhem juntos. Casais
É uma dinâmica que não precisa ser feita com todos os participantes. Torna-se já satisfatória (e até preferível) ao ser aplicada em parte do grupo e dos demais participantes só observam. Pode-se, ao final, inverter – quem participou passa a ser observador.
Solicitar algumas pessoas voluntários (8 a 10, de preferência que o grupo de voluntário fique par. Ou alguns casais.
Pedir que sejam formadas duplas, de modo que fiquem um de frente para o outro, numa fila horizontal.
Orientar que os participantes de cada dupla observem minuciosamente.
Ficar de costas um para o outro
Orientar que as duplas alterem alguma coisa em si (objetos, cabelo, roupa, etc).
Voltar a ficar de frente, um para o outro
Perguntar: o que foi mudado no outro?
Ouvem-se todas as duplas
Terminar com a leitura do texto Ver Vendo, fazendo algumas reflexões a cerca da loucura do dia a dia, onde não nos percebemos e, muito menos, percebemos a riqueza dos detalhes nas coisas e pessoas que nos cercam.
Ver Vendo
Otto Lara Rezende
De tanto ver, a gente banaliza o olhar – vê….. não vendo.
Experimente ver, pela primeira vez, o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é: o que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade.
O campo visual da nossa retina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que você vê no caminho, você não sabe.
De tanto ver, você banaliza o olhar.
Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório.
Lá estava sempre, pontualíssimo, o porteiro. Dava-lhe bom dia e, às vezes, lhe passava um recado ou uma correspondência.
Um dia o porteiro faleceu. Como era ele? Sua cara? Sua voz?
Como se vestia? Não fazia a mínima idéia.
Em 32 anos nunca conseguiu vê-lo.
Para ser notado, o porteiro teve que morrer.
Se, um dia, em seu lugar estivesse uma girafa cumprindo o rito, pode ser, também, que ninguém desse por sua ausência
O hábito suja os olhos e baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver: gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez, o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que raramente vê o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher.
Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.
…. É por aí que se instala no coração o mostro da indiferença.
Categoria: Dinâmicas de Grupo
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