Empowerment: liberdade para decisões

Empowerment: liberdade para decisões
Patrícia Bispo

Algumas empresas que se mostram dispostas a investir em gestão participativa, descobriram que o sucesso pode estar atrelado à sua capacidade de acreditar em metodologias diferenciadas. Hoje, por exemplo, há organizações conferindo aos seus funcionários autonomia suficiente para que eles próprios diagnostiquem, analisem e proponham soluções para determinados problemas ligados ao dia-a-dia organizacional. Para alguns estudiosos, as empresas que não acompanharem essa tendência, conhecida como Empowerment, correm o risco de não acompanharem as mudanças do mercado e perderem, conseqüentemente, seus melhores talentos humanos. Para explicar como essa técnica pode ser aplicada e os benefícios que ela oferece, o RH.com.br conversou com o sócio diretor da New Ways, Ivanildo Araújo Ferreira, que possui mais de 30 anos de experiência em sistemas de qualidade e produtividade. Confira!

RH.COM.BR - Qual o conceito de Empowerment?
Ivanildo Araújo Ferreira - Empowerment significa liberar o nosso conhecimento, habilidade e energia assumindo a responsabilidade pelo nosso trabalho, agindo como dono do negócio. É a gestão empreendedora, realizando o clima para a excelência. No Empowerment liberam-se as pessoas para que elas atuem com mais autonomia, autoridade e responsabilidade, utilizando suas habilidades e seus conhecimentos. Além disso, é uma mudança na própria forma pela qual o indivíduo relaciona-se com o trabalho. É o auto-investimento de poder para realizar, influenciar e melhorar não só o nosso trabalho, mas também a nossa vida.

RH - Qual o significado dessa técnica para o mundo organizacional?
Ferreira - O Empowerment está diretamente relacionado à tomada de decisão mais rápida, através de maior autonomia, autoridade e responsabilidade em todos os níveis. Ao adotar esse tipo de gestão, a organização permite que seus executivos focalizem as energias nas atividades cruciais e de alta prioridade. Além disso, o Empowerment permite que as pessoas cresçam e se desenvolvam tanto pessoal quanto profissionalmente. Nesse ambiente, as pessoas possuem automotivação, pois passam a participar das soluções dos problemas da empresa, a criar e inovar nas suas atividades e, como conseqüência, a produtividade e a qualidade aumentam.

RH - Quais os principais objetivos dessa técnica de gestão?
Ferreira - Os objetivos principais são atingir as estratégias do negócio e aumentar a rentabilidade dos acionistas. Para isso, é fundamental a descentralização do poder e da tomada de decisão para os níveis mais baixos da organização. Além disso, tem-se que liberar o espírito empreendedor das pessoas, obter maior velocidade de resposta para os clientes e criar um ambiente pró-ativo, atingindo metas desafiadoras.

RH - Podemos afirmar que essa técnica delega poderes às pessoas?
Ferreira - Na verdade, não se delega poderes. Cria-se o ambiente para que as pessoas usem suas habilidades, conhecimentos e competências para tomada de decisões. O Empowerment é uma mudança na qual o indivíduo se relaciona com o trabalho. É a chave da força explosiva para melhorar a vida de uma pessoa e seu desempenho no trabalho. O poder não é oferecido por outra pessoa, mas conquistado a partir da auto-superação. Além disso, através da tomada de decisões, participação, inovação, criatividade e dos diálogos constantes entre os membros das equipes, novos líderes e talentos surgem naturalmente.

RH - Como o Empowerment é usado na prática?
Ferreira - Quando desenvolvemos um trabalho para implantar o Empowerment, a metodologia que utilizamos consiste em analisar as causas da dependência e provocar uma mudança no estilo de gestão que aquela organização utiliza. As pessoas passam do modelo de dependência para o de empreendedor. Se eles não entenderem o que é ter maior autonomia, autoridade e responsabilidade, dificilmente o Empowerment terá sucesso. Além disso, o Empowerment só é verdadeiro quando acompanhado de metas e prazos. Assim, investimos em pessoas para que passem a atuar em times autogerenciáveis, com foco nas metas estratégicas dadas pela alta direção da empresa. Treinamos os líderes de equipes para atuarem com liderança dentro do processo Empowerment e, por último, treinamos os gestores da empresa nas novas habilidades requeridas pelo Empowerment, ou seja, habilidades de educador, facilitador, integrador e articulador.

RH - Quais as vantagens que essa técnica oferece?
Ferreira - Dentre algumas vantagens, podemos citar o foco no cliente, a redução de custos, a direção alinhada às metas e aos objetivos estratégicos da organização, bem como responsabilidade e comprometimento com valores, crenças e resultados da empresa. Também destacaria tomada de decisão mais rápida, operacionalização da visão e missão da empresa em curto espaço de tempo, acordos operacionais, planos, projetos e implementação de ações. O Empowerment proporciona ainda aumento da quantidade de ações desencadeadas, rapidez na implementação de ações, eficácia em relação à qualidade e à produtividade, autonomia, revelação de talentos, absorção de novas tecnologias, os times autogerenciáveis concretizam as estratégias de negócios da empresa e também aumento da auto-estima dos funcionários, pois as pessoas passam a ter um objetivo e um firme propósito de atingir metas. O Empowerment proporciona grande sinergia entre seus membros, resultando em um melhor ambiente de trabalho.

RH - Quais os benefícios mensuráveis diretos e indiretos que o Empowerment costuma gerar?
Ferreira - Como benefícios diretos mensuráveis podemos citar o aumento da lucratividade; plano de redução de custos sustentável; melhoramento radical dos níveis da qualidade interna e externa; melhoria dos processos de fabricação e de montagem e capacidade de resposta aos clientes. Como benefícios indiretos mensuráveis temos o alinhamento da empresa às estratégias, visão e missão; operacionalização da visão, missão e estratégias da corporação em nível de empresa e funcionários; aumento da velocidade da empresa para as exigências de clientes, tecnologias, novos produtos, concorrentes, entre outros; liberação dos níveis gerenciais para plena atuação nos aspectos estratégicos da empresa; liberação dos níveis operacionais para atuação nos aspectos que geram impacto nos resultados da empresa; surgimento de inúmeros líderes que permitem a empresa assumir diferentes e novos desafios simultaneamente; tomada de decisão mais rápida; absorção de novas tecnologias; satisfação e diminuição dos níveis da estrutura organizacional.

RH - Em que situações o Empowerment é indicado?
Ferreira - Essa técnica pode ser utilizada em qualquer situação, em qualquer ramo de atividade ou ainda, quando a organização está passando por sérias dificuldades financeiras ou até mesmo de mercado, para obter maior competitividade e lucratividade e quando as empresas necessitam de inovação e criatividade. Mas, deve-se atentar que é imprescindível a alta direção ou o presidente aceitar esse estilo de gestão e que é necessário uma liderança eficaz para puxar e fazer acontecer as mudanças requeridas pelo novo sistema.

RH - Qual o papel do gestor durante a aplicação do Empowerment?
Ferreira - O papel do gestor é de extrema importância no sucesso do Empowerment. Ele necessita desenvolver novas habilidades, entre as quais a de educador, facilitador, integrador e articulador. O líder tem que acompanhar o processo e ser um puxador, dando apoio e recursos necessários para que os times atinjam suas metas.

RH - Essa técnica pode melhorar o relacionamento entre líderes e subordinados?
Ferreira - Sim, pois aumenta o diálogo entre líderes e liderados e entre os membros do time. Podemos observar que os conflitos existentes são resolvidos rapidamente, a confiança aumenta entre os membros do time e entre funcionários e organização, além da comunicação e da informação passarem a ser mais transparentes.

RH - Que influência o Empowerment exerce na comunicação interna?
Ferreira - O sucesso do Empowerment depende de uma comunicação franca e transparente. Os liderados precisam saber o que está acontecendo na empresa, no mercado e quais os planos e estratégias para superar as dificuldades. O desenvolvimento da confiança faz-se necessário no plano profissional e pessoal. O canal de comunicação entre empresa e funcionário e entre líderes e liderados melhora muito, pois o medo, que antes pairava na organização, aos poucos vai desaparecendo e, à medida que isso acontece, os funcionários tornam-se mais participativos, comunicativos e pró-ativos. Os líderes passam a entender que o seu sucesso depende do sucesso de seus liderados, podendo aumentar sua área de ação.

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