É Vital Organizar As Etapas Seguintes Da Vida Profissional - Síndrome Do Vazio Afeta Profissional Bem-Sucedido
Chegar ao topo da carreira, bem colocado no mercado de trabalho, fazendo parte da alta hierarquia da empresa é o suficiente para deixar qualquer executivo feliz e motivado? A resposta, por incrível que pareça, é não. São freqüentes os casos de profissionais que, depois de atingirem o ápice ou terminarem com sucesso um projeto estratégico para a companhia, sentem-se desmotivados, deprimidos e sem utilidade.
Para acabar com a chamada Síndrome do Vazio, denominação que resume bem a sensação dos afetados, o segredo é planejamento, definição de metas e organização das etapas seguintes da vida profissional e pessoal.
Presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), Ana Maria Rossi diz que a Síndrome do Vazio é um fenômeno recente, que atinge, principalmente, executivos que colocam toda sua energia em determinado projeto e, quando este acaba, fica perdido, sem rumo, esvaziado. - É uma doença nova, ainda não temos estatísticas da incidência dela nem no Brasil, nem nos Estados Unidos. Mas sabemos que ela ataca, na maioria das vezes, aqueles profissionais que voltam todas suas energias a determinada área da vida, deixando os outros setores de lado. Quando ele pára e olha que não há mais nada a ser feito ou o retorno do seu esforço não é satisfatório, fica descompensado - explica a médica.
Sem perspectivas na empresa em que atuam
Ana Maria afirma que a síndrome também é muito comum em vestibulandos e executivos que chegam ao topo da carreira e não têm mais perspectivas na empresa onde estão. Entre os sintomas, falta de energia, depressão, apatia, nenhuma expectativa em relação à vida. Mas o sentimento mais descrito pelos pacientes, conta a médica, é a sensação de esvaziamento, como se o cérebro estivesse sendo retirado da cabeça.
Um caso interessante foi o de um engenheiro que estava responsável por um projeto astronômico. Ficou durante três anos realmente envolvido com a planta, deixando todo o resto de lado, inclusive sua família. Sua esposa não agüentou a situação e pediu a separação. Quando o projeto terminou, mesmo com todo o reconhecimento que teve, o engenheiro ficou deprimido, sem ver sentido nenhum na vida. É um exemplo clássico da Síndrome do Vazio - conta a presidente do Isma-BR. Head hunter e responsável pela filial da consultoria Michael Page no Rio, João Paulo Lourenço afirma que o mal também costuma atingir executivos que estão sempre em busca de novos desafios. Essas pessoas, diz, costumam sofrer quando têm que seguir sempre a mesma rotina ou têm a sensação de que não há mais nada a fazer na empresa. - Uma das saídas para esses profissionais é tentar investir em outras atividades, como prestar consultoria. Outra opção é procurar novos desafios em outras empresas, caso haja espaço para isso no mercado. Muitas companhias contratam executivos experientes apenas para tocar determinados projetos. Esse é o tipo de tarefa que combina com o perfil desses profissionais - observa Lourenço. Contratar um serviço de coaching é uma das opções para curar a Síndrome do Vazio, diz Helena Monteiro, gerente de negócios da Seres Consultoria em Recursos Humanos. A consultora explica que um profissional especializado pode ajudar o executivo na definição de seus caminhos profissionais futuros. - O coach ajudará o profissional a orientar sua carreira, definindo onde está e aonde quer chegar. A partir das conclusões, o executivo poderá se planejar e investir em treinamentos, cursos, mudar de área dentro ou até fora da empresa. Um novo rumo pode ser definido a partir daí - resume Helena.
Período sabático é uma das boas opções
Sair em um sabático é outra opção para os executivos que não estão mais vendo sentido no trabalho. Professor do Executive Master in Business Administration (MBA) da Business School São Paulo (BSP) e ex-diretor corporativo de RH do Citibank, Herbert Steinberg é um dos maiores entusiastas da prática no País. - Considero o sabático uma boa ferramenta para identificar nossas forças e potencialidades, avaliar em que condições respondemos melhor, em que circunstâncias reagimos mal. Entrar em período sabático envolve olhar para nossas competências, mapear o know-how já dominado, descobrir caminhos, medir nossos recursos mais profundos - enumera Steinberg, no seu site sobre o assunto. O consultor, que fez seu sabático em 1999, quando percorreu o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, conta que, apesar de sempre desfrutar plenamente suas férias e de não abrir mão dos finais-de-semana, sentiu necessidade de uma ruptura drástica com a rotina.
Sair em sabático foi uma oportunidade de repensar os atos externos a partir da revisão detalhada das atitudes internas e colocar vida profissional e vida pessoal na mesma mesa. Uma coisa me inquietava especialmente: a enorme quantidade de pessoas bem preparadas que, no seu íntimo, não tinham qualquer projeto. Não queria me deixar fascinar pela carreira e abandonar em algum canto minha vida pessoal. Senti necessidade de parar e refletir sobre minha própria condição no mundo, confirmando ou modificando trajetórias - relata Steinberg.
Ana Maria Rossi, da Isma-BR, alerta, no entanto, que, antes de procurar paliativos para curar a Síndrome do Vazio, o mais importante é a prevenção. “Ninguém está livre, mas não colocar todas as forças em determinado projeto ou em apenas um setor da vida, no caso, o profissional, já evita o mal. Tem que haver uma mudança de atitude”, recomenda.
PARA EVITAR
>> Mudança de atitude.
>> Mudança de setor ou de emprego.
>> Não colocar todas as forças em determinado projeto ou na vida profissional.
>> Coaching.
>> Período sabático.
>> Valorizar a vida pessoal.
Thiene Barreto J.Commercio
Categoria: Empregabilidade, Recursos Humanos
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