ocê tem tirado o máximo de uso dos vídeos de treinamento?
Você tem tirado o máximo de uso dos vídeos de treinamento?
ABTD
Inês Cozzo Olivares
Utilizar vídeos para dinamizar os cursos, todos nós utilizamos. Mas existem algumas considerações interessantes, segundo os especialistas daqui e do exterior, que a maioria dos facilitadores não conhece ou, se conhecem, não estão colocando em prática. Confira aqui se você é uma feliz exceção.
Há algumas décadas, trabalhava-se] com flip chart, escrevendo ou desenhando alguma coisa. Rapidamente, descobriu-se que isso não era suficiente para motivar as pessoas e prender a atenção delas. Com o vídeo fica mais fácil focalizar a atenção do participante, afinal, até Thomas Edson, há mais de um século atrás, sabia que uma imagem vale mais que mil palavras!
O primeiro de uma série de benefícios oferecidos pelo vídeo é o de se poder retratar uma situação em que as pessoas possam se ver, sem precisar se expor. Ninguém precisa contar que se identificou com um ou mais personagens. O importante é que o treinando se veja de fato na situação, para que possamos nos dirigir a ele indiretamente, através da análise do personagem do filme. Melhor ainda, se for uma situação engraçada, porque isso descontrai e permite que o participante tenha o insight, mas se sentindo bem. Então, o focalizador pode fazer seus comentários, não para o participante, mas sim para o vídeo; enfocando o problema sem ameaça para o treinando.
Pensando nisso, a seleção dos vídeos ganha muito mais importância do que habitualmente se dá. De acordo com o tema a ser desenvolvido, deve-se apresentar e fazer a analogia de uma maneira solta para que se leve o treinando na direção do processo, de forma que ele assuma uma atitude mais interativa e se consiga fazer com que as pessoas todas participem e busquem a solução para o problema apresentado.
Nesse sentido, o engenheiro químico Sérgio D’Ávila - Consultor de empresas, pós-graduado em Administração e Diretor da SL, empresa que conta com a experiência de mais de 8 anos no mercado de consultoria - nos dá algumas “dicas” que nos possibilitam compartilhar o sucesso que ele tem feito na condução de seus treinamentos e seminários para a Siamar, sempre com excelentes resultados em termos de participação, análise e solução de problemas
D’Ávila diz que não importa quem errou, quando é feita a análise de um problema. O que interessa é que estava errado. Quem errou, o fez porque não sabia fazer de outra forma. Espera-se que, uma vez identificado o erro, a análise busque a solução e não o culpado. Por isso, não importa que o treinando não assuma publicamente que se reconheceu numa atitude ou ação insatisfatória apresentada por um filme, mas sim que, ao ouvir as soluções e alternativas propostas pelo focalizador ou por outras pessoas do grupo, reveja sua “rota” e recupere o tempo perdido.
A idéia é mudar o foco e usar o filme na ótica de quem está assistindo e não de quem está passando. Só então se pode “viajar”, como diz Sérgio, com as idéias que o filme propõe.
Atualmente, existem mais de 600 títulos disponíveis no mercado. Com certeza, é possível buscar soluções para quaisquer problemas. Não é preciso ser exatamente “o seu problema”. Pode ser um que tenha a ver e se aproxime muito da realidade da sua empresa; do dia-a-dia dos seus treinandos.
Hoje, vivemos numa época em que as coisas mudam tão rápido que o ideal é ter um plano qüinqüenal corrigido diariamente. O que foi planejado pela manhã, à tarde já é velho; já passou. Isto não significa que a programação não possa ter a visão de futuro. Tem que ter essa visão, com correções diárias. O mesmo ocorre com o uso de filmes de treinamento. De repente, são os mesmo problemas em situações novas.
Sérgio diz que nunca escreveu novelas, mas soube que para se escrever uma novela é muito simples porque, de fato, o que se tem é sempre a interação entre as relações homem x mulher, alguns conhecidos, pai, mãe, vizinhos ou qualquer coisa do gênero. De qualquer forma, juntando tudo, não passam nunca de 70 situações diferentes. Exagerando, acentua ele, são 70: alguém está amando alguém, alguém está traindo alguém, alguém está fazendo alguma coisa ruim a outro alguém, enfim… comece a contar e você vai ver que é difícil chegar a 70. No entanto, quantas coisas acontecem só nestas 70 interações!!
Em treinamento a história não é muito diferente, o número de possibilidades, segundo D’Ávila, também não é tão maior, porque não existem infinitas formas de se dar bem em um negócio. É preciso empenhar-se, descobrir a melhor para cada empresa e fazê-la dar certo.
Outra dica de D’Ávila é procurar sempre dizer coisas que as pessoas já sabem. Se ela não sabe, diz D’Ávila, não tem importância. De alguma forma conte, depois você retoma e fala sobre o mesmo assunto, então ela já saberá, afinal você acabou de falar há dez minutos atrás e se sentirá à vontade. É importante que jamais em uma reunião alguém se sinta mal ou deslocado e tudo flui mais facilmente, à medida em que se colocam as coisas em termos de facilidades das pessoas e não de dificuldades. O que interessa é que todos sejam iguais e não que alguém seja o dono da verdade.
Hoje, todos nós temos os mesmos “gurus”, a ótica de cada um pode ser um pouco diferente, mas o foco é sempre o homem, o ser humano. D’Ávila acredita que todo mundo é fantástico. Só que ainda não sabe disso. Sua experiência com empresas como a Bardhall Lubrificantes, trouxe a certeza de que um dos grandes desafios do trainner é fazer com que profissionais das áreas de exatas, treinados para pensar “certo”, como ele conceitua, habituem-se a pensar como os profissionais com formação nas áreas de Ciências Humanas, que são mais abertos e têm mais jogo de cintura. Até porque, completa ele, quando esses profissionais compreendem como os processos humanos ocorrem, dão um show de gerenciamento. Haja visto que, dos gurus que conhecemos, boa parte vem da área de exatas: são engenheiros, matemáticos etc. O próprio Deming era um grande matemático e estatístico.
O que acontece muito no Brasil, não só pela ótica de Sérgio como pela de Arthur Bauer, presidente da American Media que conduziu a 1ª Jornada comentada de vídeos de treinamento também para a Siamar, é que há uma dificuldade em perceber as pessoas pelo o que elas são e não pelo que mostram.
Se uma pessoa tem 50 anos nos EUA ela é experiente. Aqui no Brasil ela é considerada velha e é dispensada. Uma vez dispensada, não consegue mais arranjar trabalho. “Emerson Fittipaldi com 40 anos foi para os EUA e virou herói nacional, com nome de rua e tudo!” conta Sérgio, “Ele foi campeão de fórmula Indy com 40 anos, enquanto aqui ele era considerado velho. Nos EUA, ainda hoje ele é muito respeitado. Então, o que nós precisamos é valorizar o nosso ‘homem’, quer dizer, o brasileiro com toda a sua potencialidade”.
Uma das coisas que se vê muito em treinamento são as formulas pré-fabricadas. Como se alguma coisa pudesse servir para todo mundo. “De fato”, comenta, “todo mundo usa sapato, mas ninguém tem que usar número 35 ou 43″. Por isso, D’Ávila não abre mão de assistir um vídeo de 50 a 100 vezes (e isso não é figura de linguagem!) antes de apresentá-lo em sala de aula. Ele diz que, a cada vez, descobre um aspecto que havia passado desapercebido.
Isso ocorre porque empresas como a American Media passam meses estudando as 8 horas diárias (ou mais) de funcionários nas empresas para condensá-las em, no máximo, 25 minutos! Mas o universo de possibilidades ali retratadas é imenso e de longe muito superior ao óbvio, que, aliás, o treinando não precisa que alguém decifre para ele. “Gosto de filmes que têm uma mensagem um pouco mais subliminar porque muito direta e explícita, ela se dilui rapidamente”, afirma Sérgio.
Em termos dos pecados que se comete no uso do vídeo e das vantagens que ele oferece, a mais comum é o exagero. Algumas pessoas passam uma quantidade enorme de filmes e acabam dispersando a atenção de quem está vendo, ao invés de focá-la.
Outro erro é apagar as luzes. Sempre que possível, deixe a sala clara. As pessoas acham que vai começar o filme e associam a cinema, seção da tarde… apagam-se as luzes e o “cara” dorme! Ainda mais depois do almoço!
Toda reunião tem que ter informação, treinamento, motivação e comprometimento. Se faltar um desses quatro itens, é melhor nem fazê-la. Sob esse aspecto, o filme deve ser uma peça que componha um roteiro com início, meio e um fim. Um dos problemas mais comuns é usar o filme na hora errada: ou porque está sobrando algum tempo, ou porque não se sabe mais o que dizer. É preciso selecionar e valorizar o momento do filme lembrando, principalmente, que a exemplo de quem está fazendo a apresentação, o vídeo é simplesmente uma ferramenta. Nunca o motivo maior da reunião.
Categoria: Recursos Humanos
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