Rezar Em Qual Cartilha?
Maria Rita Gramigna
“Odeio quando vai chegando o domingo. Lembro que na segunda -feira é dia de trabalho”.
“O melhor dia da semana? Sexta-feira!”.
“Estão chegando minhas férias. Ficarei livre do trabalho um mês!”.
“Se eu pudesse, escolheria outro trabalho! Mas, o mercado está em baixa!”.
“Aqui, quem manda é o diretor. Nós não temos vez!”.
“Não adianta sugerir. Eles fazem o que acham certo!”.
(frases soltas, ditas por profissionais, em seminários e workshop de desenvolvimento).
Nos vários anos de convívio com profissionais de diversas empresas e funções, os comentários que retratam insatisfação no trabalho têm sido uma constante.
Sempre paro para pensar quais os motivos que levam as pessoas a criar um ambiente pouco feliz, pouco motivador.
Há poucos dias, tomei contato com um texto muito interessante que me fez refletir sobre crenças e valores pessoais e o quanto eles afetam nossa forma de ver o mundo e as pessoas que nos rodeiam.
Nesta semana, inspirada na leitura em referência, resolvi lançar as seguintes questões:
Como você enxerga sua equipe? Que idéias você tem de seus colegas de trabalho? Você os vê como iguais? Ou usa de dois pesos e duas medidas?
Existe uma cartilha na qual rezam muitos profissionais: a cartilha da infalibilidade pessoal, que apresenta algumas lições específicas:
1. Se chego atrasado, tive um contratempo. Se o outro se atrasa é um irresponsável.
2. Se cometo um ato agressivo, estou com problemas pessoais. Se o outro agride é um descontrolado.
3. Se erro, enganei-me. Se o erro é do outro, ele é incompetente.
4. Se estou desmotivado, preciso de estímulo. A desmotivação do outro é preguiça.
5. Se não entendi um assunto, a comunicação não foi adequada. Quando o outro não entende, é tolo.
6. Se não atinjo metas, estou sobrecarregado. Metas não atingidas pelo outro indicam falta de comprometimento com resultados.
7. Meu mau humor é justificável. O do outro é incompreensível.
8. Se não cumprimento minha equipe com um “Bom Dia”, é porque estou distraído. Se não recebo “Bom Dia” dos outros, eles não têm educação.
9. Se falo uma tolice numa reunião, sou excêntrico. Se o outro se expõe, é ridículo.
10. Se demoro a dar uma resposta, sou tranqüilo. O outro é lento.
11. Se aproveito uma idéia de alguém e falo que é minha, estou agregando valor ao meu trabalho. O outro é espião.
12. Se os preços praticados por minha empresa são altos, justificam-se pela qualidade. Os preços de meus fornecedores estão fora da realidade.
Quem reza nesta cartilha, tende a adotar comportamentos pouco efetivos no dia a dia de trabalho. Não conseguem enxergar mérito nos colaboradores, adotam posturas de arrogância, apresentam inflexibilidade e, conseqüentemente têm poucas chances de obter a adesão das pessoas aos seus projetos.
Enxergar o próprio mundo com lentes cor de rosa e o dos outros com lentes cinza, torna as relações interpessoais caóticas e o trabalho um verdadeiro martírio.
Estamos na era da valorização das pessoas. Os discursos que reverenciam talentos, potenciais e competências se repetem. Uma nova cartilha está sendo delineada e sua página principal, traz um novo apelo.
PRECISA-SE:
• De pessoas que acreditem em seu próprio potencial e que vejam nos outros aquilo que têm de bom em si.
• Que reconheçam o valor de suas equipes e fiquem satisfeitas quando brilham.
• Pessoas que sejam humildes em seus atos e aprendam a aprender.
• Pessoas que formem um time, tão unido e forte, que nenhum outro o vença em sua competitividade.
• Pessoas que ajudem a elevar a auto-estima dos que estão ao seu redor.
• Pessoas promovam desafios e incentivem os outros a descobrir seus próprios dons.
• Precisa-se de gente que saiba lidar com a diversidade.
• Pessoas que sejam justas, éticas e coerentes em seus discursos e ações.
Se começarmos a refletir sobre a qualidade de vida que podemos ajudar construir no trabalho, certamente rezaremos pela cartilha da nova ordem.
Afinal de contas, passamos mais da metade de nosso tempo útil nas organizações!
Categoria: Recursos Humanos
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