Bom Senso É A Ordem Na Utilização Do E-Mail - Uso Inadequado Da Web Pode Acabar Em Demissão

A Internet agiliza a procura por trabalho, envio de currículos e otimiza a comunicação, mas guarda também algumas armadilhas. O uso indevido do e-mail no trabalho, por exemplo, pode configurar demissão por justa causa. Por isso, obedecer as normas da empresa sobre a utilização do meio e restringir ao máximo o uso para fins pessoais é indispensável para quem não quer perder a colocação na empresa.
Decisão recente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) dá ao e-mail caráter pessoal, não configurando justa causa, mesmo que tenha sido enviado de dentro da empresa. No Rio, a situação é diferente pois não há nenhuma decisão que dê ao funcionário a garantia de que o e-mail é uma correspondência totalmente individual. O contador André da Rocha foi demitido recentemente por uso indevido de e-mail. Segundo ele, existiam normas para a utilização do correio-eletrônico que não foram respeitadas. Rocha dá razão à empresa e aconselha qualquer funcionários com acesso a e-mail que jamais se desvie para o foco pessoal em detrimento do profissional. - Toda empresa tem uma cultura que deve ser respeitada e seguida pelos funcionários e estou tirando uma grande lição desta situação. Os mais jovens, principalmente, costumam ter a impressão de que a Internet é um mundo à parte, sem perceber, entretanto, que existe o ambiente corporativo - aconselha Rocha, afirmando que demiti-lo foi uma decisão correta da empresa.
Uso particular, só se a empresa permitir
Respeitar as normas da empresa é o que indica também o juiz Nelson Tomaz Braga, presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT/Rio). “O e-mail da empresa deve ser utilizado para atividade fim e não para uso particular, a não ser que a empresa permita”, afirma Braga. Advogada trabalhista da Freire Advogados Associados, Daniela Madeira Lima afirma que as empresas não podem restringir o uso da Internet e do e-mail em horário de almoço e nem para efetuar pagamento de contas. Apesar disso, cabe ao funcionário respeitar as normas que venham a ser definidas pela empresa e ter bom senso na hora utilizar a rede. - Não abusar do tempo de permanência e não enviar mensagens com conteúdo pornográfico devem ser normas para qualquer funcionário, independentemente da política da empresa - diz Daniela. A advogada acrescenta ainda que a troca de e-mails entre funcionários da própria também deve ser evitada quando o conteúdo não é profissional. “Fofocas, principalmente as que contém nomes de colegas, não devem ser enviadas”. Gerente comercial da Parsina Marítima, Alex Navarro descreve as restrições que a empresa impõe aos usuários de e-mail. Repassar as chamadas “correntes” e mensagens com conteúdo pornográfico não é permitido. Além disso, também são dadas orientações sobre tamanho das mensagens e dos anexos, além da ressalva de não misturar o ambiente corporativo com questões pessoais.

- Todos respeitam as normas. Pelo domínio da empresa, só circulam as mensagens que dizem respeito ao trabalho. Para as questões pessoais temos acesso aos e-mails particulares - conta Navarro que não se incomoda com as regras da empresa.

Limitação deve ser comunicada ao funcionário
Consultor de Recursos Humanos do Grupo Catho, Obadia Sion acha correto que as empresas limitem o uso do e-mail para questões pessoais desde que elas sejam devidamente comunicadas aos funcionários. A utilização inadequada, adverte, pode influenciar na produtividade e também na maneira como o profissional é visto pela empresa. - É complexo impor limites que não sejam delimitados por regras. Por isso, o mais aconselhável é restringir tempo de utilização, horário ou utilizar outro critério, como bloqueio de determinadas páginas e palavras - diz Sion, enfatizando que o respeito à liberdade individual deve partir da empresa e também do funcionário. Para evitar problemas, a grande maioria das empresas já bloqueia determinados endereços eletrônicos e palavras-chave que estejam no assunto dos e-mails. Além de restringir o uso de caráter pessoal, os funcionários devem ainda cadastrar seus endereços em listas de discussão, que geralmente enchem as caixas de recebimento.
Visita a sites pornográficos e páginas referentes à seleção de funcionários também devem ser evitadas no local de trabalho. Conversar internamente é outro perigo que os e-mails reservam. Ao responder, é preciso observar atentamente se o destinatário está correto. “Os funcionários também não devem comentar por e-mail informações estratégicas ou impressões pessoais sobre colegas de trabalho”, alerta a advogada Daniela.
Dicas
>> Não abusar do tempo de permanência na Internet durante o horário de trabalho.
>> Se o uso for para fim particular, dar preferência aos horários de almoço e intervalos.
>> Evitar sites que não sejam condizentes com a moral e os bons costumes, como os pornográficos.
>> Evitar a troca de e-mails com teor pornográfico ou provocador da libido.
>> Namorados ou casais que trabalhem na mesma empresa não devem trocar mensagens com conteúdo pessoal.
>> Não fofocar por e-mail e jamais citar nomes de colegas de trabalho.

Yuki Yokoi

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