Superstições Corporativas Irresponsabilidade E Preconceito

Procurar emprego (ou manter-se nele) pode se transformar num verdadeiro
inferno. Para os empregados há sempre um “abismo” de competências, nunca
preenchido por seus esforços. Para os desempregados, jargões
incompreensíveis, discursos metaorganizacionais, perfis e exigências
impossíveis de serem cumpridas na busca de uma vaga com carteira assinada.
Há um solo poroso sobre o qual nos movemos, feito de fios, teias e redes
relacionais.

Cada dia surge uma nova sigla ou estrangeirismo, mas nossos problemas
persistem. Precisamos lançar uma luz sobre os “mitos corporativos”. Um
exemplo: o mercado não aceita bem quem passa da chamada barreira dos 40
anos. Ou seja, toda a sua experiência pode não servir para nada. Com
faculdade ou sem a chapa pode esquentar. O Brasil é um dos poucos países que despreza a maturidade e experiência.

Mulheres também não são bem vindas, afinal ou são chefes muito duras,
masculinizadas em sua forma agressiva ou sequer chegarão ao escalão
intermediário, vocês sabem: filhos, marido, tpm, licença-maternidade e todos
os empecilhos do gênero. Corporativo? Não, é claro, mas sexista e especista.
Enfim, dizem os manuais, elas não foram feitas para mandar. Quer mais?
Continuemos.

Outro exemplo corriqueiro: até que ponto os formatos atuais de testes, podem
determinar com razoável acuracidade o “que é” um indivíduo? Como se
comportará? Servirá para a organização? Será bom para você ou não? Não temos
aí qualquer fundamento científico, porque, afinal ciência é apenas uma
escolha entre metodologias. Qual sua aposta?

Confiar em estatísticas para medir o sucesso profissional é como ler a sorte
na mão. Mas, hoje todos estão sendo assim avaliados: antes da contratação
uma enxurrada de metáforas e planilhas. Depois empresas se decepcionam
quando não conseguem fazê-lo “render” ou integrá-lo às suas rotinas. O mesmo
vale para o colaborador, que logo se frustra com a distância entre o real e
o prometido. Mas ele não importa tanto assim…

Os profissionais estão se tornando cada vez mais invisíveis pela miopia
corporativa e as práticas massivas de recursos humanos. Frente às metas e
exigências de retorno imediato e da volatilidade ética das forças do
mercado, ninguém está isento de culpa! Isto invalida a conquista e retenção
de talentos, desmotiva a equipe e transforma os candidatos em cidadãos de
segunda classe. Sem falar na postura antiética e, muitas vezes ilegal de
modelos. Na verdade, vivemos uma ditadura de indicadores.

As chamadas rotinas dos subsistemas de RH, tais como: técnicas de seleção,
programas de desenvolvimento, atribuições e avaliações podem ter momentos
hilários, apresentar desafios, mas escondem armadilhas fatais para quem não
conhece o lado negro da força. Precisamos estar atentos para este quadro de
indignidade, ele afeta todos nós. Afinal, um dia podem lhe chamar para mais
uma reunião improdutiva e você estará na rua.

Aí são dois extremos: se tentar voltar eles não vai querer mais você,
velhinho! Se virar consultor e não tiver realmente diferencial irá apenas
engrossar o cordão dos palpiteiros. Se eu fosse você, começaria a pensar em
abrir uma pizzaria agora mesmo.

Luís Sérgio Lico é Filósofo, Escritor e Conferencista.
Atenciosamente,

Carlos Fonseca
cfonseca@click21.com.br
impacser@task.com.br
http://cfonseca1.googlepages.com

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