Valorização do ser humano nas organizações

Washington Luis Silva de Souza

Tenho visto em diversos artigos e palestras que acompanho um movimento mundial em dizer que o ativo mais importante das organizações são seus colaboradores. Mas, será que no dia-a-dia da companhia, esses funcionários são valorizados ou depreciados como qualquer outro ativo da empresa?

Pelo que percebo, o ser humano acaba não sendo valorizado como realmente deveria ser; talvez por falta de tempo dos gestores, falta de habilidades da liderança ou até mesmo falta de preparo. Tudo isso são desculpas dadas pelas organizações para justificar a incompetência em lidar com pessoas.

O discurso está bem longe da realidade. Valorizar o ser humano não é só pagar um bom salário ou ter um pacote de benefícios atraente; trata-se de saber lidar com vidas, com pessoas que têm sentimentos, vontades e anseios diferentes.

Todo Talento busca na empresa respeito, carinho, reconhecimento, acompanhamento, feedback. Alguns buscam crescimento, desafios; outros, segurança. Mas uma coisa é certa: todos querem ser valorizados como seres humanos.

Vivemos em uma era globalizada, em que cada vez mais se exige do colaborador velocidade e agilidade em todas as tarefas, buscando incessantemente trazer resultados para a empresa. Essa exigência traz conseqüências boas e ruins.

- As conseqüências boas:
* O profissional aprende a buscar a informação e se atualizar a cada segundo;
* O crescimento profissional não tem fronteiras;
* A exigência do mercado é que ele seja cada vez mais generalista e menos especialista em sua profissão, com conhecimentos bem diversificados.

- As conseqüências ruins:
* O profissional passa a ser testado e avaliado a cada tarefa e em muitos casos o histórico dele não é levado em conta;
* A exigência é cada vez maior sobre o acerto e a perfeição; estamos esquecendo que lidamos com pessoas imperfeitas, que normalmente aprendem com os próprios erros. Precisamos criar mecanismos para avaliar esse aprendizado e para que erros passados não sejam cometidos novamente;
* Exige-se cada vez mais velocidade nas tarefas e nas informações, nesse ponto podemos citar o estresse e a estafa causada pelo corre-corre das grandes metrópoles, como uma das grandes conseqüências ruins, que pode até afetar a saúde do colaborador.

Vamos falar mais sobre isso. No domingo passado, sai de casa para ir ao mercado que fica a três quadras. Para variar, fui de carro, é obvio. Para chegar ao mercado, havia um farol que estava fechado no meu sentindo; parei atrás de um carro. Quando o farol abriu, percebi que ele não andou. A pessoa estava procurando algo no porta-luvas. Agi com o instinto de um ser humano que vive no mundo globalizado e que é cobrado todos os dias agilidade na empresa que trabalha; afinal, tempo é dinheiro. Após dois segundo do farol aberto, comecei a buzinar sem parar. Percebi que o motorista se assustou e acelerou para sair logo daquela situação.

Esse pequeno exemplo mostra o quanto os profissionais estão chegando ao limite; apenas dois segundos e o estresse já aflorou. Trata-se do mau do século XXI. Detalhe: quando voltei do mercado, percebi que eu não tinha mais nada para fazer no domingo todo. Aí cai na real! Estava sofrendo da correria criada todos os dias nas organizações. Mas será que as empresas valorizam a velocidade que exigem dos seus colaboradores? Essa é uma pergunta que vou deixar para que vocês, caros leitores, respondam.

Posso afirmar com toda convicção que valorizar pessoas é uma das principais virtudes do líder moderno (influenciador, servidor, participativo e que obtém resultados com e para as pessoas). Essas premissas são faladas nos artigos, palestras e treinamentos dos grandes “gurus” da administração moderna.

Para conseguir essa valorização não são necessariamente obrigatórios grandes investimentos, mas as atitudes que os lideres e gestores têm com a sua equipe. Isso fará toda a diferença. O líder tem que agir com respeito, sinceridade, carinho e empatia com todos os seus colaboradores, sem exceção.

Se você é um líder ou pretende ser, aqui vai uma dica: você é o espelho da sua equipe. Todas as suas ações refletirão positiva ou negativamente nos seus colaborares. Procure ter atitudes, palavras e pensamentos éticos em prol do grupo. Assim, você terá o sucesso esperado pela organização.

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